ESTRESSE EM RECÉM-NASCIDOS E O PROJETO POLVO

Nascer é um grande passo para o ser humano. Um grande e imprevisível desafio, que gera muito estresse para os recém-nascidos. Eles são empurrados ou puxados de dentro de um ambiente tranquilo e equilibrado, onde não precisam se preocupar com nada. E saem para um ambiente barulhento, cheio de luzes, onde precisam berrar para conseguir o que querem.

Dentro do útero, existe o aconchego da placenta e o contato com o cordão umbilical. Nele, os bebês podem se agarrar, enrolar, brincar ou apenas segurar, trazendo a certeza de que estão seguros e protegidos. Fora do útero, encontram fraldas, roupas e outros aparatos que, por melhor que sejam, não são tão confortáveis.

Os bebês prematuros são os que mais sentem essa transição. Pois deixam a segurança e a estabilidade maternas antes do momento adequado. Após o nascimento, vão, na maioria das vezes, para as incubadoras que, apesar de serem necessárias para os manter bem, não trazem o aconchego uterino. Pelo contrário, geram estresse em recém-nascidos, pois vêm associadas a tubos e fios que machucam e incomodam.

“Octo Project”

Por isso, em 2013, na Dinamarca, surgiu um projeto muito interessante: o “Octo Project”. Nesse projeto, os bebês prematuros em incubadoras receberam a companhia de um polvo de crochê. Esse polvo, feito com fio 100% algodão, enchimento antialérgico e devidamente esterilizado, se torna uma companhia para o recém-nascido.

Os profissionais de saúde perceberam que, ao segurar os tentáculos do polvo, os bebês ficavam mais calmos. Isso porque seu formato lembra o cordão umbilical, trazendo o conforto semelhante ao encontrado no útero.

Por causa da tranquilidade desenvolvida com a presença do polvo, notou-se uma melhora na respiração, na frequência cardíaca e na oxigenação desses bebês. Observou-se, ainda, uma redução no comportamento de puxar os fios e sondas, o que reduz o estresse e sofrimento de ter que recolocar tudo de novo.

No Brasil

Esse projeto se popularizou e se estendeu para outros países, inclusive aqui, para o Brasil. Em Brasília, por exemplo, criou-se o Projeto Polvinho do Amor em 2017. Esse projeto distribui polvos de crochê em maternidades públicas e privadas, ajudando bebês e famílias nessa fase tão sensível.

Mas os benefícios do polvo de crochê não se limitam aos recém-nascidos prematuros. Também os bebês que nascem no tempo ideal podem se beneficiar da presença do polvo. Isso reduz o estresse em recém-nascidos no pós-parto e traz aconchego, pois é algo que lembra a placenta e o cordão umbilical. Outro benefício é a ajuda no desenvolvimento do sentido do tato.

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